Vicentina amiga do autista: Referência para o MS em inclusão e atenção continuada







Desde que tomou posse em janeiro de 2025, a nova gestão pública de Vicentina encarou o desafio de promover a atenção integral à pessoa autista, consolidando o município como referência na abordagem e atenção continuada. A determinação veio junto com a responsabilidade que o assunto exige, uma vez que a política é pública, mas muitos casos atendidos e vividos são individuais.
Para a inclusão de fato acontecer, além do suporte da gestão, o comprometimento da equipe multidisciplinar de atenção e acolhimento, é um fato determinante. Especialistas em educação, reabilitação e terapias com foco no humanismo, os profissionais que atuam no centro municipal de Vicentina seguem leis e diretrizes, elaboradas, aprovadas e implementadas com a participação de suas categorias.
O sucesso do trabalho pautado nas leis e diretrizes já existentes virou referência até para o Poder Judiciário, com os magistrados da comarca – Vitor Dias Zampieri e César Manzano – saindo de seus gabinetes para conhecer o centro de apoio em Vicentina (à direita na foto em destaque).
Com amparo das leis já existentes e com a autonomia funcional expressada pelo prefeito Cléber Dias da Silva, pela primeira-dama Érica Cordeiro e secretária de Saúde Ludelça Dorneles, o município de Vicentina tem se destacado como um polo acolhedor e inovador. O município desenvolve políticas públicas que unem o aspecto técnico, a formação docente e o atendimento especializado, servindo de inspiração para educadores, profissionais da reabilitação e gestores públicos.
Centro de inclusão – O coração dessa rede inclusiva pulsa no Centro Municipal de Atendimento Terapêutico de Vicentina. O espaço é uma grande referência no acolhimento multidisciplinar e humanizado para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas respectivas famílias. Como a rede de ensino não possui horário coletivo semanal na jornada comum, a formação continuada aos profissionais da educação foi planejada estrategicamente para ocorrer uma vez ao mês.
Essa ação mensal atende diretamente aos anseios e necessidades dos professores de apoio, oferecendo um espaço exclusivo para que a teoria pedagógica encontre a prática clínica e terapêutica, fortalecendo a rede de suporte e alinhando as estratégias de manejo e aprendizagem.
Conforme a psicopedagoga Vilma Brito da Silva Leal, coordenadora do Centro Terapêutico Eiko Eto Sato, para que essa engrenagem funcione com eficiência, a formação dos professores de apoio em Vicentina ampara-se estritamente no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).” O ECA garante o direito ao desenvolvimento sadio, à educação especializada e ao lazer em absoluta igualdade de condições. Compreender a lei faz com que o corpo docente enxergue a acessibilidade e as adaptações curriculares não como um privilégio ou favor, mas como o cumprimento de um direito da infância”.
Vilma faz questão de ressaltar que o trabalho em Vicentina é exitoso em função de que o município cumpre as leis e diretrizes que já disciplinam e norteiam o trabalho em todas suas formas. “Essa garantia jurídica ganha materialidade prática por meio das diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Os educadores do município recebem instruções constantes nesse dia letivo para adaptar os Campos de Experiência e os Direitos de Aprendizagem previstos no documento nacional”, diz a coordenadora do centro terapêutico, citando o que já está pacificado em lei e nas orientações dos ministérios da Educação e de Saúde.
Vilma destaca que a formação continuada dos professores é um campo focado nas relações interpessoais, amplamente utilizado em ambientes externos para estimular a socialização, a autonomia e a comunicação não-verbal dos estudantes neurodivergentes, garantindo que eles participem ativamente de todas as vivências culturais e turísticas ao lado de seus pares.
“Toda essa bagagem pedagógica e legal é direcionada para a vigilância constante dos Marcos do Desenvolvimento da Infância. Ao dominar os critérios clínicos e comportamentais esperados para cada faixa etária, o professor de apoio ganha ferramentas para identificar sinais de alerta precocemente na sala de aula”, diz a psicopedagoga.
A capacitação técnica dos professores ajuda a subsidiar a equipe do Centro Terapêutico com relatórios escolares precisos e robustos, facilitando a construção de um Plano de Desenvolvimento Individualizado (PDI), que realmente atenda às necessidades específicas de cada aluno.
A profissional faz ainda uma observação especial às pessoas interessadas no assunto que procurem conhecer a sistemática da inclusão para poder ajudar no processo, inclusive com a elaboração de novas leis, citando ainda que ouvir e colher sugestões de quem trabalha e entende da sistemática de trabalho, é fundamental neste processo continuado de inclusão.
“Visitar e estudar o modelo de Vicentina significa compreender como um município pode se organizar de forma integrada para ser genuinamente inclusiva. Ao unir a força protetiva do ECA, a estrutura pedagógica da BNCC, o conhecimento clínico dos marcos da infância e o suporte prático oferecido pelo Centro Terapêutico Eiko Eto Sato na formação aos professores do município, consolida-se um modelo exemplar que protege, acolhe e desenvolve o futuro de todas as suas crianças autistas”.

