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Em crônica, professor e poeta Carlos Magno escreve sobre o Dia do Jornalista

Por Carlos Magno Amarilha
Hoje, sete de abril, o calendário me cutucou e eu me peguei pensando nessa gente que tem a notícia correndo nas veias. Eu não sou jornalista, mas sou “escrevenhador”, ou seja, sou cronista e poeta. Que não tem nada haver com o papel do jornalista.
Digamos que em um jornal impresso, há espaços para crônicas e poemas, mas como acessório, o lado B.
O papel do jornalista é de fundamental importância em nossa sociedade, porque desde que me entendo por gente, lá pelos meus três anos, a voz do rádio já mandava no meu imaginário. Ficava ali, grudado na caixa de som ouvindo as histórias de príncipes e princesas da Rádio Nacional, um mundo que não era de Dourados, mas que chegava inteiro no meu ouvido. Depois veio a Rádio Clube da minha cidade, com aquele jeito acelerado dos programas esportivos e os noticiários que a gente escutava como se fossem a voz do destino.
Cresci com o cheiro da tinta nas mãos. Meu pai me mandava ir ali na banca do jornaleiro, na esquina da João da Câmara com a Marcelino Pires, e eu voltava com o mundo debaixo do braço.
Aos oito eu lia, principalmente palavras cruzadas e as historinhas infantis que havia nos jornais, aos nove já era vício, e aos doze além dos Jornais O Progresso, Folha de Dourados, Jornal da Praça, O Panfleto, entre outros que não me lembro mais dos nomes, eu lia também de segunda a sexta os jornais Folha de S. Paulo e a Gazeta Esportiva, que chegavam todos os dias 17h, adorava ler os jornais, sabe, lia, buscava como quem busca um tesouro escondido. O jornal era o meu mapa. Aos dezesseis, tinha muitos amigos que eram jornalistas influentes, gente que fazia o papel tremer com a força das palavras.
E o que é esse tal de jornalista, afinal? É um bicho curioso por natureza. Tem o que corre atrás da bola no campo, o que fica no estúdio de gravata, o que entra no meio do fogo cruzado e aquele que gasta a sola do sapato na rua para descobrir por que a ponte caiu ou por que o pão subiu. São muitos, de todos os tipos, mas no fundo são todos a mesma coisa: gente que não aguenta guardar um segredo e precisa espalhar a verdade para o vizinho.
O jornalista é, em essência, um arquétipo da curiosidade humana.
Ele se manifesta no repórter de campo que persegue a notícia nos gramados, no âncora que mantém a sobriedade no estúdio e no correspondente que enfrenta o fogo cruzado.
Há também aquele que consome a sola dos sapatos nas ruas para investigar as causas de uma tragédia ou as razões da inflação.
Independentemente da editoria, todos partilham a urgência de revelar o que está oculto e o compromisso de traduzir a verdade para o próximo. Eles atuam como pontes sobre o abismo do caos.
O jornalista organiza a desordem dos acontecimentos em frases inteligíveis e as entrega à sociedade, seja pela frequência do rádio, pelas telas ou pelo papel que hoje se digitalizou no vidro dos celulares.
Trata-se de um ofício ancestral, herdeiro daquele primeiro homem que correu para relatar o que vira além das montanhas. São, em última análise, os nossos sentidos estendidos.
Hoje, presto minha homenagem aos inúmeros amigos que habitam o furacão das redações. São caçadores de histórias que impedem que a sociedade mergulhe na obscuridade. Como cronista, reconheço que, sem o jornalista para estabelecer o tom da realidade, a minha poesia careceria de solo firme para florescer.
Salve o sete de abril!
Vida longa aos que possuem a audácia de questionar o “porquê” de todas as coisas.

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