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Estrada, renda e memória: comunidades quilombolas ganham novos caminhos em MS

Estradas, geração de renda e preservação cultural aproximam políticas públicas da rotina das comunidades quilombolas de Mato Grosso do Sul. Na gestão de Eduardo Riedel, ações incluem R$ 29,9 milhões na pavimentação até Furnas do Dionísio, R$ 2,2 milhões na restauração da Igreja de São Benedito, na Comunidade Tia Eva, além de capacitação para empreendedores, incentivo ao turismo e programas de apoio à produção nas 22 comunidades do Estado.

Nascida e criada em Furnas do Dionísio, Maria Aparecida Martins conhece de perto o peso que uma estrada ruim pode ter na vida de uma comunidade. O acesso difícil não complicava apenas o deslocamento de quem precisava chegar a Campo Grande. Também interferia na chegada de visitantes e na comercialização daquilo que os moradores produzem.

Hoje, ao falar da pavimentação da MS-010, entre o distrito de Rochedinho e a comunidade, em Jaraguari, ela mede a mudança pelo tempo e pela facilidade de ir e vir.

“A rodovia ficou ótima, perfeita. Ficou rápida agora a viagem de Furnas para Campo Grande. Eu digo que é um pulinho. O acesso para gente agora está maravilhoso”, conta.

Presidente da associação dos moradores, Maria Aparecida também acompanha outro desafio: transformar a produção local, o turismo e os pequenos negócios em renda para as famílias. Para ela, infraestrutura e apoio público precisam caminhar juntos.

“A comunidade sozinha não caminha. Ela precisa do apoio do poder público em diversos setores, para desenvolver nosso trabalho, conseguir se destacar nas produções e principalmente levar autonomia aos moradores. O Governo do Estado é um parceiro importante.”

A pavimentação da MS-010 é uma das ações realizadas durante a gestão do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, dentro de um conjunto de iniciativas destinadas às comunidades quilombolas de Mato Grosso do Sul. O foco apresentado pelo governo envolve infraestrutura, produção, empreendedorismo, turismo e preservação da história e da cultura desses territórios.

“É fundamental que o Governo do Estado esteja cada vez mais próximo das comunidades quilombolas, construindo parcerias que respeitem a identidade, a história e as potencialidades de cada território. Nosso compromisso é criar condições para que essas comunidades tenham mais oportunidades de produzir, empreender e gerar renda. A prioridade é melhorar a vida dos moradores”, afirma Riedel.

Uma estrada que aproxima – Com 11,48 quilômetros de extensão e investimento de R$ 29,9 milhões, a pavimentação da MS-010 melhorou a ligação entre Rochedinho e Furnas do Dionísio. Além da locomoção cotidiana dos moradores, a obra favorece duas atividades importantes para a comunidade: o turismo e a comercialização de produtos locais.

Furnas reúne cachoeiras e outros atrativos naturais, mas o acesso precário dificultava a chegada de visitantes. A estrada pavimentada reduziu esse obstáculo e tornou mais simples também o transporte da produção.

Na experiência de Maria Aparecida, essa combinação é importante porque a autonomia econômica depende tanto da capacidade de produzir quanto das condições para que o que é feito na comunidade encontre mercado.

Preservar a memória para as próximas gerações – Em Campo Grande, outra comunidade quilombola acompanha uma mudança de natureza diferente. Na Comunidade Tia Eva, a Igreja de São Benedito passa por restauração depois de anos de expectativa dos moradores.

Descendente de Tia Eva, Antônio Borges, de 70 anos, guarda lembranças do espaço desde a infância. Entre elas está o desejo de tocar o sino da igreja, símbolo de uma relação que atravessou sua vida.

Para Antônio, a restauração significa recuperar não apenas um edifício, mas um lugar de celebração, fé e transmissão da história da comunidade.

“Temos a necessidade de estar dentro da igreja e passar à nossa juventude e crianças a nossa fé”, afirma.

Segundo ele, a recuperação do espaço foi prometida outras vezes sem sair do papel. “Esta obra já passou nas mãos de muitas pessoas, agora vemos ela ser feita, sair do papel.”

O projeto, discutido com os moradores para respeitar o calendário de festas e celebrações, prevê o restauro arquitetônico da igreja e a conservação de bens históricos, entre eles o sino, o busto de Tia Eva e o Cruzeiro de madeira.

As intervenções também alcançam o espaço comunitário. O barracão de eventos terá nova cozinha, churrasqueira, área para bar e serviços, palco, reforma dos banheiros e adequações de acessibilidade e de prevenção contra incêndio e pânico.

Estão previstos ainda espaço educacional, depósito de material de limpeza, banheiro acessível, Centro de Atendimento ao Turista e praça de convivência. O investimento estadual chega a R$ 2,2 milhões.

Conhecimento para fazer a renda crescer – Se em Furnas do Dionísio a estrada ajuda a levar os produtos para fora da comunidade, em Nioaque a aposta também passa por preparar os moradores para organizar e ampliar seus próprios negócios.

No Quilombo Araújo e Ribeiro, Vitor Ramão Araújo participou do Empretec Quilombola, parceria entre o Governo do Estado e o Sebrae-MS que levou capacitação em empreendedorismo às comunidades.

Os participantes recebem orientações sobre planejamento, liderança e gestão de negócios. Para Vitor, a experiência mudou a maneira de olhar para aquilo que já era produzido dentro do quilombo.

“Uma virada de chave na minha vida e acredito que de muitos aqui da comunidade. Muita alegria e satisfação participar do programa, abrir minha visão para vender da melhor forma possível o que produzimos e saber como tocar nossos negócios. Aqui tem muita gente empreendendo, vendendo tapioca, pastel, artesanato.”

Segundo ele, a capacitação também estimulou moradores que ainda não haviam começado a empreender.

“Muitas pessoas despertaram para começar a mexer com artesanato. Nos ensinaram como usarmos o espaço na comunidade. Eu, por exemplo, planejo no futuro vender água de coco e sucos naturais. Tenho amigo meu que vende de 90 a 100 espetinhos por dia. Com orientação e apoio podemos chegar longe.”

A experiência mostra uma das frentes adotadas para ampliar a renda: trabalhar com atividades que já fazem parte da realidade de cada território e ajudar os moradores a transformá-las em oportunidades econômicas.

Cada comunidade, uma necessidade – Mato Grosso do Sul possui 22 comunidades quilombolas distribuídas em 15 municípios. A estratégia do Governo do Estado foi incluí-las em diferentes programas e, ao mesmo tempo, realizar uma escuta individualizada para identificar as prioridades de cada território.

Segundo Deividson de Deus da Silva, subsecretário de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial da Secretaria Estadual de Cidadania, as necessidades variam de uma comunidade para outra.

“Esta escuta individualizada é essencial para sabermos quais são seus anseios e prioridades. Tem aquela mais agro, outra voltada ao turismo, a que precisa de mais estrutura na saúde e até as comunidades que só querem ter o direito de manter a tradição e valorização da história.”

Na avaliação do subsecretário, agricultura familiar, turismo e empreendedorismo aparecem como características comuns a diferentes comunidades, embora cada território tenha uma trajetória própria.

No turismo, uma das iniciativas é o Afroturismo, que reúne ações de incentivo às visitas às comunidades e prevê um guia destinado a apresentar seus atrativos naturais.

Na educação, há iniciativas voltadas à valorização da história das comunidades, com material escolar e letramento racial. Já o MS em Ação levou serviços de cidadania, saúde, segurança e garantia de direitos.

Para quem vive da produção rural, programas como Fomento Rural, Extensão Tecnológica, Resex e Proacinq oferecem assistência técnica, inovação e apoio à organização produtiva.

O Programa de Aquisição de Alimentos também alcança essas comunidades ao comprar alimentos produzidos pela agricultura familiar quilombola e destiná-los a famílias em situação de vulnerabilidade.

São diferentes frentes para realidades que também são diferentes entre si. Em Furnas do Dionísio, por exemplo, o desenvolvimento passa por uma estrada que diminuiu distâncias. Na Comunidade Tia Eva, passa pela recuperação de um patrimônio que ajuda a preservar a memória. Em Nioaque, aparece na possibilidade de transformar uma receita, um artesanato ou um pequeno comércio em fonte de renda.

Para Maria Aparecida, no entanto, o objetivo converge para uma palavra que acompanha as demandas de quem vive nesses territórios: autonomia. Ter condições de produzir, vender, receber visitantes e permanecer na comunidade mantendo sua própria história.

(Da assessoria – Foto: Saul Schramm)

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