Maracaju: Morre Luiz Nascimento, mas antes gravou a história e eternizou amor pelo município


O município de Maracaju perdeu na madrugada de segunda-feira, dia 24 de agosto, um de seus filhos ilustres: Luiz Nascimento. Apaixonado por Maracaju e sua história. ele deixa como legado – além de uma vida de trabalho e de amizade pelo município – a história gravada da terra que ele adotou para viver e morrer.
Luiz Nascimento é autor do documentário “Maracaju sua história e sua gente”, gravado em DVD em 2016, onde ele eternizou em vídeo depoimentos de pessoas que fizeram a história do município e contaram suas versões sobre fatos e feitos ao longo dos anos.
O amor por Maracaju marcou a trajetória de vida de Luiz Nascimento, que sempre foi apaixonado por música e fez sucesso no passado animando festas locais, em carreira solo ou em dupla com outros músicos. Nos trabalhos musicais, ele sempre exaltou o município, sendo que no primeiro disco que vinculou o lugar ao trabalho musical, com o título do LP.
Ao longo de sua carreira como músico, ele gravou oito discos, sozinho ou em dupla com outros parceiros. Como compositor, também escreveu para outras corporações musicais. A música sempre moveu sua vida.
Além de compor e cantar as músicas tradicionais, Luiz Nascimento também escreveu o hino do Maracaju Atlético Clube (MAC), referência no futebol local e estadual. A música, no entanto, não rendeu o suficiente para sustentar a família e ele se tornou conhecido também trabalhando em uma conhecida empresa de transportes e encomendas.
Vídeo eterno – Outra paixão de Luiz Nascimento foi o vídeo. Ele havia comprado uma câmera numa época que o vídeo não era comum como é atualmente, que se tem na palma da mão no aparelho de telefone celular. Um belo dia, em 2012, ele tomou a decisão de registrar a história do município em um documentário, mas não tinha dinheiro para bancar as despesas com os profissionais de vídeo. Como a determinação era maior que sua limitação financeira, ele decidiu se tornar múltiplo para o sonho virar realidade.
Nascia ali o Luiz Nascimento cinegrafista, apresentador, roteirista, editor de imagens e diretor dele mesmo. Para captar imagens e depoimentos, ele não poupou força de vontade, varando madrugadas editando e selecionando cenas de seu projeto. O sonho de produzir a obra também tinha que conciliar com a necessidade da sobrevivência, com ele trabalhando de motorista e entregador antes das gravações.
O tempo de descanso ele dedicava ao documentário em andamento. Em 2016, três anos e sete meses depois, sua obra foi concluída, com depoimentos de pessoas pioneiras e seus descendentes, que contaram capítulos da história de Maracaju em um documentário com duas horas e 20 minutos.
Apesar da alegria de terminado a missão que sonhou, Luiz Nascimento não esconde sua decepção pela falta de apoio do setor público e privado, durante e depois do trabalho finalizado. Ele, junto com a esposa Rute Nascimento (foto em destaque), reclamaram em 2024 da falta de valorização da iniciativa e do trabalho realizado.
Notas de um herói – Se o documentário feito por Luiz Nascimento não recebeu a atenção que merecia, para sua família ele é um símbolo de trabalho e dedicação. Para ela, Luiz escreveu não somente músicas e roteiros, mas também uma trajetória de exemplo, pois nunca ficou fazendo somente uma atividade.
Sua luta, porém, modificou cinco anos depois de fazer o documentário, acometido por um Acidente Vascular Cerebral (AVC) quando estava trabalhando, em maio de 2021. Apesar do impacto neurológico, Luiz Nascimento reagiu e sobreviveu para continuar contando sua história e a de Maracaju.
O sepultamento de Luiz Nascimento ocorre às 15h deste dia 25 de agosto no cemitério municipal de Maracaju.
(Da redação, com informações do livro “Maracaju 100 anos – Terra Prometida”, editado em 2024 pela Câmara Municipal na gestão do então presidente Robert Ziemann)



