Salvador, servidor do bem e da saúde parte lutando em defesa da vida




Salvador Ferreira dos Santos encerrou seu ciclo de vida no plano terrestre às 23h30m de domingo, primeiro dia do mês de novembro. Seu falecimento consterna familiares e amigos que tiveram o prazer de sua convivência, pois ele não foi apenas mais um ser que falece depois de vencido seu tempo na terra.
Era servidor da Saúde onde integrou a principal ação de saúde preventiva do Brasil, trabalhando na então Sucam (Superintendência de Saúde Pública), que depois passou a ser a atual Funasa. Foram cerca de 40 anos de atendimentos domiciliares, na zona rural e na cidade e, nos primórdios, de bicicleta enfrentando sol e chuva para imunizar e prevenir. Fazia saúde de casa, por anos a fio.
Com o fim da Sucam, seu contingente de trabalhadores foi remanejado para atuar junto aos municípios. No caso de Salvador, ele ficou prestando serviços no centro de zoonozes da Prefeitura de Dourados, atuando no controle e combate a vetores que transmitem doenças.
Salvador foi acima de tudo um guerreiro e um raro ser do bem neste mundo. Filho de Joaquina e Adão Ferreira dos Santos, era membro de uma numerosa família de retirantes vinda de Minas Gerais, na metade do presente século. Viveu a infância em Itaporã e conheceu a fome quando mudou ao vizinho Paraguai, onde a adolescência foi o trabalho para sua sobrevivência e dos demais.
Aos 18 anos enfrentou sua primeira grande batalha pela vida, diagnosticado com tuberculose quando havia recém ingressado no Exército, sendo dispensado por conta da grave comorbidade. Enfrentou e venceu a tuberculose em meio a turbulência para se manter vivo fisicamente por conta da vida humilde de sua família.
Casou ainda jovem com sua Cleusa, companheira de vida por mais de meio século. Sempre trabalhando no meio rural e sem oportunidade de acesso aos estudos, foi lavrador e fabricante de tijolos (oleiro) na região do Cambira/Potreirito em Dourados. Um ano depois de casados, o peito sofrido de Salvador recebeu mais um impacto profundo: A morte do primeiro filho, Gerson, com poucos meses de vida.
De família evangélica, Salvador continuou a vida com muita resiliência, saindo da olaria e indo para a cidade, atuando na fabricação de postes e estruturas de concreto. Do ferro e do cimento, ele enxergou na Sucam a oportunidade que mudaria sua vida.
Sua primeira cidade como servidor público foi Angélica, onde atuou também em Ivinhema e parte de Deodápolis, levando saúde. Um dos principais serviços era a pulverização das casas para repelir a entrada de vetores, como mosquitos, percevejos e outros vetores nocivos à saúde.
O serviço público, porém, não foi motivo de tranquilidade e estabilidade para Salvador. Por décadas, ele tinha duas jornadas, a de trabalhador público e, a segunda, de construtor para ampliar o espaço onde morou. No começo dos nos 1990, ele se mudou de forma definitiva para Dourados, onde terminou a jornada.
Guerreiro por natureza, Salvador foi acumulando também alguns problemas de saúde, até pela exposição quase que permanente a fortes insumos de repelência animal. Conviveu com pelo menos cinco doenças e toma seis formulas de remédios para controle e manutenção da vida, mas sempre trabalhando.
Em 2020, enfrentou e venceu a terrível covid 19, mais uma vitória para galeria do ser do bem vencedor.
De bom coração, o servidor Salvador foi também a mão estendida para quem mais precisava, não hesitando em fazer o bem, de dia ou de noite. Ele parte deixando o exemplo de trabalho e bondade às filhas Marilene e Marileide, netas Geovanna e Yasmin e ao neto Samuel, bem como aos genros Darci e Renato.
Neste momento de dor e despedida eterna, familiares, amigos e irmãos de igreja abraçam a esposa Cleuza, que foi a companheira de Salvador por mais de 50 anos. Nos últimos dois meses, ela não saiu de seu lado numa batalha contra um mal instalado em sua medula. Junto com a sobrinha Ivani e demais familiares, foram luz e força para o guerreiro enfrentar os piores dias de sua vida, até terminar o combate, aos 72 anos.
“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (Trecho bíblico escrito pelo apóstolo Paulo em sua segunda carta a Timóteo (Capítulo 4, versículo 7)
As despedidas ao guerreiro Salvador Ferreira dos Santos e homenagens aos familiares estão sendo realizadas na sua Igreja Sã Dourtina do Sétimo Dia, situada à Rua Marechal Rondon, 655, próxima à Comercial Gerdau e atrás do Atacadão (ao lado da antiga Agrosul), em Dourados.
O sepultamento está previsto para às 16h no Cemitério Municipal Santo Antônio e Pádua.

